terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cap. 8

8
Como Ádamo tinha previsto, Tiago estava mais uma vez em um sonho, num grande campo de tulipas, como da ultima vez, só que agora a mulher estava a sua frente, e com uma expressão de satisfação no rosto.
- Muito bem, meu amor, pelo visto você, sem querer, descobriu como tirar Ádamo daquela prisão.
- É, tive sorte
-
Sorte? Você acha mesmo que eu não estava ali para conduzir a medalhinha para as tulipas?
- Ah é, esqueci que você costuma interferir na minha vida – aquilo soou mais grosseiro do que ele queria que fosse, e ao perceber a feição chorosa que estava estampada no rosto da mulher, foi logo se desculpando – desculpe, não quis ser grosso, só que às vezes isso é estranho.
- Eu sei, mas esqueça isso, venha cá, me dê um abraço, pelo menos um abraço.

Tiago não tinha como negar, se aproximou e abraçou a mulher. Nunca havia sentido nada como aquilo, ele estava com as pernas bambas, o perfume da mulher era divino, e talvez divino mesmo, já que ela era filha de Afrodite. Todo seu corpo tremia, mas ele não queria largar a mulher nunca.

Quando enfim se soltaram, tudo ficou embaçado, mas não era o fim do sonho. Agora Tiago via imagens difusas na névoa, um homem alto e com uma imensa barba fazendo uma serenata. Um homem loiro e baixinho dando uma tulipa para uma moça um pouco mais alta que ele. Mas o que impressionou foi a cena de um homem morto, com uma faca no peito, e depois a mulher pegando a faca e se matando também, Romeu e Julieta? Achei que isso era uma peça de teatro e um livro, por que estou vendo isso? – pensou Tiago.Mas com a velocidade que as imagens apareceram, elas se foram, e tudo voltou a normal, Tiago estava em seu quarto, com a cabeça explodindo, e com Ádamo, seu guia-espírito, do lado.

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